Cerca de um terço das mulheres brasileiras na pós-menopausa desenvolve osteoporose. Ainda assim, 80% das mulheres adultas no Brasil desconhecem a relação entre a queda hormonal da menopausa e o aumento do risco dessa doença. A osteoporose é silenciosa, não dói, não avisa — e frequentemente só se manifesta quando uma fratura já aconteceu.

O que o estrogênio faz pelos seus ossos

Os ossos são tecidos vivos em constante renovação. O estrogênio exerce um papel central nesse equilíbrio, freando a reabsorção óssea pelos osteoclastos. Quando seus níveis caem com a menopausa, os osteoclastos passam a trabalhar de forma mais intensa, a reabsorção supera a formação, e a densidade mineral óssea começa a declinar. Nos primeiros anos após a menopausa, essa perda pode chegar a 3% a 5% ao ano — acumulando-se silenciosamente por uma década inteira antes que qualquer fratura dê o alerta.

Silenciosa até partir

A osteoporose não produz sintomas perceptíveis em suas fases iniciais. A primeira manifestação clínica mais frequente é uma fratura após um impacto que, em circunstâncias normais, não teria causado dano algum. As fraturas de maior impacto clínico são as vertebrais e a de colo de fêmur. Estima-se que entre 15% e 25% das mulheres com mais de 65 anos que sofrem fratura de quadril morrem nos 12 meses seguintes, principalmente por complicações da imobilidade.

Quando fazer a densitometria óssea

A densitometria óssea é o padrão de referência para o diagnóstico de osteopenia e osteoporose. O Consenso Brasileiro de Osteoporose e o posicionamento da FEBRASGO recomendam sua realização em todas as mulheres a partir dos 65 anos. Para mulheres entre 50 e 65 anos já na pós-menopausa, a indicação deve ser avaliada com base em fatores de risco adicionais: histórico familiar de osteoporose, baixo IMC, tabagismo, uso prolongado de corticoides, menopausa precoce antes dos 45 anos e sedentarismo.

A terapia hormonal e a proteção óssea

A terapia hormonal é uma das estratégias com maior nível de evidência para prevenção da perda de massa óssea na menopausa. Uma revisão sistemática com 22 ensaios clínicos randomizados documentou redução significativa nas taxas de fraturas. O Consenso SOBRAC/FEBRASGO 2024 confirma que a terapia hormonal é efetiva para prevenir a perda óssea e as fraturas por fragilidade, com nível A de evidência. Para mulheres que têm contraindicação, os bisfosfonatos orais — alendronato e risedronato — são a primeira escolha farmacológica.

O que alimentação e exercício físico realmente fazem

A ingestão recomendada de cálcio para mulheres na pós-menopausa é de 1.000 a 1.200 mg por dia, preferencialmente obtidos da alimentação. A vitamina D tem função essencial na absorção intestinal do cálcio; níveis séricos abaixo de 20 ng/mL estão associados a maior risco de fratura. Atividades com carga e exercícios resistidos são efetivos para estimular a remodelação óssea e reduzir o risco de quedas — que é a queda, não a fragilidade do osso isoladamente, que desencadeia a maioria das fraturas graves.

Prevenção começa antes da menopausa

O pico de massa óssea é atingido por volta dos 30 anos. Mulheres que chegam à menopausa com boa densidade óssea têm mais margem para absorver a perda fisiológica dos anos seguintes sem atingir o limiar da osteoporose. Rastrear, prevenir e tratar são ações que precisam acontecer em sequência, de forma planejada.

Na Clínica Khera, o acompanhamento da menopausa inclui avaliação sistemática da saúde óssea, integrada com ginecologia, nutrição e prescrição de atividade física em um único plano personalizado.