Dor durante a relação sexual, ressecamento persistente, urgência urinária que surge sem aviso — muitas mulheres convivem com esses sintomas por anos sem jamais tê-los mencionado em uma consulta médica, em parte porque internalizaram a crença de que se tratam de consequências inevitáveis do envelhecimento. Essa percepção não corresponde ao estado atual do conhecimento médico.
Uma dimensão que afeta muito mais do que o corpo
A dispareunia — dor durante a relação sexual — tem impacto que transcende o ato em si e se estende sobre dimensões importantes da vida da mulher. Quando a dor se torna previsível, o comportamento de evitação passa a se instalar de forma gradual, comprometendo a intimidade, o relacionamento conjugal e a percepção da própria feminilidade. O desejo sexual diminuído na menopausa tem determinantes hormonais concretos, mas é perpetuado também por um ciclo em que a antecipação do desconforto reduz o interesse, que compromete a resposta lubrificatória, que amplifica a dor. A sexualidade integra a saúde da mulher de forma indissociável e merece a mesma atenção diagnóstica e terapêutica dedicada a qualquer outra manifestação clínica da menopausa.
O que acontece com o corpo
Em 2014, a North American Menopause Society introduziu o termo síndrome geniturinária da menopausa, reconhecendo que os efeitos do hipoestrogenismo compõem um conjunto clínico amplo — manifestações vulvovaginais, sexuais e urinárias interligadas. O estrogênio mantém a integridade da mucosa vaginal, da vulva e do trato urinário inferior. Com sua queda na menopausa, esses tecidos perdem espessura, elasticidade e vascularização. O pH local se eleva, o microbioma vaginal se modifica e a região torna-se mais suscetível à irritação crônica e a infecções recorrentes. A síndrome afeta entre 60% e 80% das mulheres na menopausa e tende a se intensificar progressivamente na ausência de tratamento.
O papel específico do estrogênio de uso local
Entre 10% e 15% das mulheres em uso de terapia hormonal sistêmica continuam apresentando sintomas de ressecamento vaginal, porque os tecidos da vagina frequentemente precisam de estímulo estrogênico local direto. Nesses casos, a associação do estrogênio tópico ao tratamento sistêmico é clinicamente justificada. O estrogênio vaginal de baixa dose restaura espessura, vascularização, lubrificação e equilíbrio do pH vaginal. O Consenso SOBRAC/FEBRASGO 2024 estabelece que ele pode ser utilizado mesmo por mulheres com contraindicação formal à terapia hormonal sistêmica, incluindo pacientes com histórico de doenças cardiovasculares ou, em casos selecionados e com avaliação oncológica individualizada, aquelas com histórico pessoal de câncer de mama.
Tecnologias sem hormônios: laser, radiofrequência e HIFU
A Ginecologia hoje conta com tecnologias que atuam diretamente nos tecidos da região íntima por mecanismos físicos. O laser vaginal Fotona, a radiofrequência íntima e o HIFU compartilham um princípio de ação comum: todas utilizam energia controlada para aquecer seletivamente as camadas profundas do tecido vaginal, estimulando os fibroblastos a produzir novo colágeno e promovendo a remodelação estrutural da mucosa. O resultado é um tecido progressivamente mais espesso, mais vascularizado e mais elástico.
O laser emite luz em um comprimento de onda específico, depositando energia nas camadas que precisam ser regeneradas. Na Clínica Khera, utiliza-se o laser Fotona, plataforma com comprovação científica reconhecida pelas principais sociedades de ginecologia. A radiofrequência íntima emprega ondas eletromagnéticas que distribuem calor uniformemente pelo tecido, com boa tolerabilidade. O HIFU concentra energia sonora em pontos precisos nas camadas mais profundas, estimulando a neocolagênese com alta seletividade. A SOBRAC considera essas tecnologias alternativas viáveis para mulheres com contraindicação ao uso de hormônios.
A Clínica Khera oferece avaliação e tratamento da síndrome geniturinária com abordagem personalizada e baseada em evidências. Laser Fotona, radiofrequência íntima e HIFU estão disponíveis na clínica, sempre com avaliação médica prévia.